“Escrava Mãe” promete salada de estilos para agradar a “família brasileira”

Com o novelão “Escrava Mãe”, a Record bate de frente com “Haja Coração” da Globo. As duas estreiam nesta terça (31) na faixa das 19h30.

Com o novelão “Escrava Mãe”, a Record bate de frente com “Haja Coração” da Globo. As duas estreiam nesta terça (31) na faixa das 19h30. Escrita por Gustavo Reiz e dirigida por Ivan Zettel, “Escrava Mãe” é uma coprodução, com a Casablanca. A trama de época, que narra a saga da escrava Juliana (Gabriela Moreyra), mãe da personagem central do romance “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães, tem todos os ingredientes de um folhetim clássico brasileiro, numa verdadeira salada de estilos. 

“Haja Coração”, a comédia romântica do horário das sete da Globo, vai concorrer com um melodrama dos mais diversificados: tem romance, ação, vilões cruéis, amores impossíveis, sonho de liberdade e até comédia pastelão com direito a comida na cara.

“Novela para a família”

O sonho de liberdade associado ao amor impossível entre uma escrava e um fidalgo, prejudicado pelo senhor cruel, já era o mote da clássica “A Escrava Isaura”, imortalizada na versão da Globo de 1976 (com Lucélia Santos e Rubens de Falco), e que também ganhou um adaptação na própria Record, entre 2004 e 2005 (com Bianca Rinaldi e Leopoldo Pacheco).

“Escrava Mãe” segue os passos seguros já trilhados por outras produções aprovadas pelo público. O folhetim tradicional será seguido à risca e a novela não fugirá de abordagens batidíssimas e conhecidas de todos, principalmente em se tratando de tramas de cunho abolicionista (como “Escrava Isaura”, “Sinhá Moça” e outras).

“É uma novela para a família”, adiantou o autor. Uma afirmação que já virou clichê quando as emissoras qualificam suas produções, talvez com medinho de rejeição ou boicote da “tradicional família brasileira”. “Escrava Mãe” mistura tudo o que, teoricamente, funciona em uma novela, com base no que, também teoricamente, a audiência quer ver.

Salada de estilos

Duas famílias rivais disputam o poder (a fazenda tal versus a fazenda vizinha) tendo o amor proibido entre seus filhos, à la Romeu e Julieta, a engrossar essa animosidade. Também o embate entre vilões desumanos (fazendeiros escravocratas e seus feitores) e jovens militantes da causa abolicionista, com direito a um jornal que afronta os interesses dos senhores de escravos (já visto em “Sinhá Moça”). “Escrava Mãe” reforça a ideia de que as novelas são todas iguais, só muda a forma de contar a mesma história. 

O humor se faz presente na figura de Dona Urraca (de Jussara Freire), uma “dama da sociedade”, moralista, que rivaliza com as meninas da taverna, supostas prostitutas, lideradas por Rosalinda, vivida por Luiza Tomé - o que remete a outra personagem da atriz: a cafetina Rosa Palmeirão de “Porto dos Milagres” (2001). “Moralistas versus prostitutas” também rende, vide as novelas de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Pelas cenas apresentadas, esse filão vem recheado com humor pastelão, farinha e ovo na cabeça.

O autor promete uma narrativa ágil, com muita ação, em que histórias se resolvem no próprio capítulo. Se a trama não traz nenhuma novidade, as imagens, pelo menos, são atraentes. As cenas mostraram tomadas cinematográficas, bonitas e criativas. Imagens com um quê de épico. Talvez aí esteja o diferencial de “Escrava Mãe”. A novela foi gravada em 4K (ou Ultra HD, com qualidade de imagem quatro vezes superior à alta definição), no interior de São Paulo (nos estúdios da Casablanca, no Polo Cinematográfico de Paulínia, e na Fazenda Santa Gertrudes). Anderson Souza, o diretor de teledramaturgia da Record, afirmou que o custo médio de cada capítulo é de 350 mil reais.

Assim como em “Haja Coração” na Globo, o primeiro capítulo de “Escrava Mãe” também não terá breaks comerciais. A novela está prevista para 140 capítulos, mas como a edição ainda está sendo feita, é provável que esse número varie, para mais ou para menos.

Apesar de abordar um período violento de nossa História, “Escrava Mãe” não mostrará violência: “Não quis valorizar a tortura para não parecer sensacionalista”, afirmou Gustavo Reiz. O diretor Ivan Zettel propõe com a trama “entender quem somos nós, portugueses, índios, negros”. Além dos negros escravos, a novela tem um ator português no elenco (Pedro Carvalho), e uma personagem índia, vivida por Adriana Londoño.