Regiane Alves vive entidade espiritual no cinema e afirma: “Não é uma escalação, é um chamado”

Protagonista do filme “Divaldo - O Mensageiro da Paz”, atriz diz ter reencontrado sua espiritualidade com o trabalho

Regiane Alves tem surpreendido o público com suas performances cheias de energia no Dança dos Famosos.

Desde o último dia 12, no entanto, o público poderá vê-la em uma versão bem diferente. A atriz está também nos cinemas com o filme "Divaldo - O Mensageiro da Paz".

No longa dirigido por Clovis Mello, ela interpreta Joanna de Ângelis, guia espiritual do médium e humanista brasileiro, Divaldo Franco, reconhecido mundialmente por suas ações filantrópicas.

"Esse filme veio num momento superdifícil da minha vida e ajudou a me resgatar espiritualmente, ele resgatou a minha fé.

Nem o vi muito como um trabalho como atriz, e sim como uma missão," conta Regiane, lembrando que recebeu o convite para rodar o longa em dezembro de 2017, de uma forma bem diferente de todos os trabalhos que já fez como atriz.

 "Na equipe, sempre falamos que a minha escalação para esse papel veio do além, porque o Clovis mostrou cinco fotos para o Divaldo e, quando ele olhou, disse que tinha que ser eu, e que a Joanna estava lá dizendo isso para ele também", conta a atriz, que completa: "Eu até disse na época: 'Isso não é nem uma escalação, é um chamado'".

A partir de então, ela se empenhou em estudar para conhecer melhor a história desta mulher que, além do título de mentora de Divaldo, também tem atribuída si a autoria da maior parte das obras psicografadas pelo médium. "Comecei a pesquisar, li os livros dela, fui ao centro espírita que leva o nome dela aqui no Rio de Janeiro e visitei a Mansão do Caminho, obra social do Divaldo lá na Bahia", conta.

O filme tem início na infância de Divaldo e acompanha a vida do médium até a fase adulta.

Por isso, três atores se revezam no papel do médium: o pequeno João Bravo, o jovem Guilherme Lobo e Bruno Garcia.

Por ser uma entidade que acompanha o protagonista durante toda a sua vida, Regiane é a única atriz que está presente nas três fases da trama.

Depois de passar pela aprovação do próprio Divaldo Franco, hoje com 92 anos, e, de certa forma, da própria Joanna de Ângelis, que acompanha o médium em sua jornada, ela diz que não sentiu esse peso ao encarnar o papel.

"Não me senti julgada. Pelo contrário, me senti muito abençoada", conta.

 "Mas tive que lidar um pouco com a ansiedade das pessoas, por ser uma figura tão marcante para quem segue essa fé", explica.

Nesse sentido, o processo de construção da personagem foi minucioso. "Primeiro, tive que saber como eu faria Joanna, porque não existe uma imagem dela, o Divaldo diz que a vê como uma freira", explica. "Mas a Joanna demorou a aparecer para ele. Antes ela era uma luz, uma voz, e são textos muito difíceis, rebuscados, então procurei uma fonoaudióloga para me ajudar a fazer isso de uma forma doce, mas rígida ao mesmo tempo", diz a atriz.

Outro desafio foi atuar sempre com o mesmo figurino, que lhe possibilitava movimentos muito contidos.

 "Passo o filme todo de hábito. Não tinha um figurino como aqui no Dança dos Famosos, que me ajuda a compor o personagem de cada apresentação.

Não tinha como explorar essa parte gestual.

 Foi uma emoção muito grande quando vesti o hábito pela primeira vez.

Todo mundo da equipe veio no set olhar."

Com mais de 20 anos de carreira como atriz e vivendo um desafio completamente novo no quadro do Domingão, Regiane vê a oportunidade de fazer cinema como uma forma de explorar novas possibilidades artísticas. "Acho que o cinema é a arte do diretor, temos que ter um processo de confiança muito grande com ele. Ao mesmo tempo, é um trabalho muito intenso e muito mais técnico, porque geralmente só tem uma câmera, então se grava de forma muito picotada.

Mas, como é uma obra que já tem início, meio e fim desde a concepção, você já sabe o que vai acontecer e pode construir melhor o personagem", diz ela, que está em seu oitavo longa.

 "Para o artista, é muito bom poder fazer os três formatos: TV, teatro e cinema. Eles são muito diferentes entre si e cada um te ensina uma nova forma de lidar com a arte," afirma.

Esse trabalho, no entanto, a marcou de uma forma especial.

 "O próprio Divaldo diz que existe uma certa mediunidade no trabalho do ator também, porque o que fazemos é quase impossível e somos mensageiros, de uma certa forma: fazemos pensar, emocionar e questionar.

Conseguimos entrar na pele de outra pessoa para tentar entendê-la.

"Durante a gravação do filme, não é que eu me sentia olhada o tempo inteiro, mas estava sendo conduzida para um lugar muito especial. É um filme que fala sobre fé, perseverança e amor.

E estamos num momento do país em que precisamos disso."