Paciente recebe um rim da irmã e as duas afirmam viver um renascimento

Depois de oito anos de insuficiência renal crônica, Rosemeire Adolpho, comemora o recebimento do rim há um mês

Depois de oito anos de insuficiência renal crônica, Rosemeire Adolpho, paciente da Santa Casa de Misericórdia, comemora o recebimento do rim há um mês. A irmã, Adriana Adolpho dos Santos, que é técnica de enfermagem justamente na área de nefrologia desse hospital, se preparou por meses, cumprindo uma bateria de exames, antes que revelasse à caçula que seria sua doadora.

O diagnóstico foi recebido há oito anos e, desde então, Rosemeire passou todas as noites em diálise peritonial, ligada a uma máquina por nove horas. Porém, há um mês ela vive uma realidade diferente, comemorada neste Dia Nacional da Doação de Órgãos (27 de setembro).

Mesmo ainda em fase de recuperação do transplante, a paciente já percebe a diferença em sua qualidade de vida. Conta que pode ter uma alimentação saudável normal, diferente dos últimos oito anos, com muitas restrições. “Nem água eu podia tomar, somente em uma quantidade mínima. Hoje tomo muito água”. E destaca a saúde e a liberdade sem as nove horas ligada a máquina todas as noites. “Não tenho mais os inchaços, dores de cabeça, ânsias e faço xixi normalmente. Posso sair para jantar fora, comer, dormir e acordar sem tanto rigor de horário”.

Todas essas alegrias aparentemente simples, segundo Rosemeire, fazem uma diferença absurda em sua vida. “Meus pais se emocionam cada vez que me veem. Nunca reclamei da máquina de diálise que me trouxe até aqui, mas minha irmã me deu a oportunidade de viver de novo e sou muito grata a ela. Pouco a pouco reconquisto minha liberdade. E continuo sendo paciente da Santa Casa para as avaliações e tratamento, criei um vínculo grande com toda a equipe, que é minha segunda família”.

Rosemeire é a caçula de três filhas. Entre as duas irmãs, a mais velha teve 50% de compatibilidade e a do meio, 100%. Só que Adriana engravidou nesse meio tempo e depois passou pela fase de amamentação.
Ultimamente a diálise não surtia mais o efeito que deveria e a paciente teria que passar a fazer hemodiálise (no hospital). Só que, antes disso, o transplante foi feito.  “Procurei o médico da Rose em segredo porque tinha receio que houvesse algum impedimento para o transplante e não queria que ela se frustrasse. Passei quase um ano me preparando, tive que perder 20 quilos e uma bateria de exames foi feita. Eu e seu médico só revelamos a notícia a minha irmã quando chegou a hora dos exames em conjunto, com prova cruzada, que também deram certo”, contou Adriana.

A irmã doadora contou que sentiu Deus guiando cada etapa. “A doação não é humana, é um chamado Divino e eu senti dentro de mim um encorajamento espiritual, acreditei, tive fé e disse sim. Amo meu trabalho e através dele conheço não só a história da minha irmã, mas o sofrimento de tantos pacientes. Sou abençoada por ter podido ajudar. Não perdi um rim, não perdi nada. Ao contrário, recebi, renasci junto com a minha irmã e toda nossa família também, foi um divisor de águas”.

O transplante foi feito em São Paulo por uma questão específica da doadora. Foi um procedimento tranquilo e a recuperação de Adriana foi muito rápida, assim como de Rosemeire. Apesar dos riscos do transplante para o paciente que recebe o órgão, a doação de um rim vinda de doador vivo facilita o procedimento e o pós-operatório.