Técnico do Fernandópolis sobre salários atrasados: “Desde o início convivemos com isso”

Junior Paulista: “isso não é o ideal e não pode ser normal no futebol”

Texto: Jorge Luiz

Foto: João Leonel/Revoluir.com

Em conversa por telefone com a reportagem JM, o técnico Junior Paulista, do Fernandópolis, falou sobre o confronto contra o MAC nesta semifinal do Campeonato Paulista da 4ª Divisão (Sub-23), que vale vaga de acesso e não se negou a falar sobre os problemas extracampo do clube: presidente e vice presos em operação da Polícia Federal e principalmente dos salários atrasados, que segundo ele chegam a dois meses e meio.

“Claro que isso atrapalha (salários atrasados). Desde o início da competição convivemos com isso e já chegou a ficar cinco meses. A diretoria foi quitando aos poucos, às vezes pagava um mês, tinha semana que acertava a metade. Infelizmente nós estamos acostumados com isso e eu lamento profundamente, porque isso não é o ideal e não pode ser normal no futebol”, comentou o treinador.

Ontem foi a segunda vez na semana que os jogadores esperavam pelo pagamento atrasado. A primeira foi no dia 14 (segunda-feira), mas nada foi acertado. Até o final desta edição, o JM não havia conseguido a informação sobre o pagamento, mas na entrevista o próprio Junior Paulista não estava esperançoso. “Seria muito bom se essa situação fosse resolvida antes da partida, mas não nos foi prometido nada. Falaram que hoje (19) podia sair. Vamos esperar, porque até meia noite é sexta-feira, quem sabe. Mas acho que não vai sair”, explicou.

 

Prisão de dirigentes

Outro problema extracampo do Fernandópolis foi a prisão do presidente (Oclécio de Almeida Dutra) e do vice-presidente do clube (Ricardo Saravalli) pela Polícia Federal, no dia 3 de setembro, durante a Operação Vagatomia, que investiga fraude na concessão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal. “Pegou a todos nós de surpresa. Sabíamos de algumas coisas a respeito, mas não tínhamos ideia de quão era o envolvimento”, destacou Junior Paulista.

Apesar de todos os problemas, o técnico do ‘Fefecê’ acredita que sua equipe possa conquistar o acesso. “Estou muito orgulhoso dos meus atletas, pois apesar de jovens possuem um equilíbrio emocional que me surpreende. Além da prisão dos dirigentes e dos salários atrasados, eles passaram por greve, falta de comida e ônibus quebrado na estrada (WO para o Tupã na 1ª fase). Mesmo assim fizeram a 2ª melhor campanha geral da competição e chegaram a ficar 20 jogos invictos em campo (sem contar o WO). Por isso, eu digo que nós merecemos esse acesso”, desabafou.

 

MAC

Na derrota no jogo de ida da semifinal contra o Marília (2 a 0), o técnico Junior Paulista reconheceu que o adversário mereceu a vitória e diz que o placar fez do MAC o favorito a passar no confronto. “Não fomos bem no Abreuzão. Nós sempre propusemos o jogo dentro e fora de casa e contra o Marília não conseguimos. O time deles, que por sinal é muito bom, não nos deixou jogar. Eles entraram bem mais ligados que nós, dividindo todas as jogadas, principalmente no primeiro tempo. Claro que com a vantagem agora de poder perder por um gol de diferença eles são favoritos, pois eu queria ter essa vantagem”, frisou.

Entretanto, o treinador do Fernandópolis disse que o confronto não está decidido. “Assim como o Marília é forte em sua casa e não perdeu, nós também estamos invictos e já revertemos uma desvantagem nas quartas de final (3 a 0 contra o Rio Branco), após perder o primeiro jogo. O que eu tenho certeza é que será uma grande partida e aquele que for melhor será merecedor do acesso”, finalizou

 

Carreira

Junior Paulista tem 40 anos e se aposentou como atleta em 2015. O ex-lateral-esquerdo era conhecido como Junior Guerreiro e jogou por: times como Ituano, Guaratinguetá, Grêmio Barueri, União São João e Linense. Ainda em 2015, foi auxiliar-técnico de Betão Alcântara no acesso do Fernandópolis nesta mesma 4ª Divisão.

Em 2016, Betão foi para o MAC na Série A-2, mas Junior Paulista resolveu ficar no ‘Fefecê’. Porém, após a saída do treinador do Alviceleste, ambos retomaram a parceria e conquistaram o acesso no mesmo ano com o Rio Preto na Série A-3. Na temporada seguinte, Junior voltou a Fernandópolis, mas o clube ficou sem atividade profissional e seguiu seu trabalho na cidade como proprietário de uma escolinha de futebol.

Em 2018, assumiu o comando profissional do ‘Fefecê’ nas últimas sete rodadas da 1ª fase do Paulista da 4ª Divisão, mas não conseguiu a classificação. No 2º semestre dirigiu o time Sub-20 na 2ª Divisão e terminou em 5º lugar. Na atual temporada, foi escolhido pela diretoria para comandar o clube novamente.