Caminhão é o 1º veículo do Brasil sem retrovisor

Mercedes-Benz Actros usa câmeras de alta resolução no lugar dos espelhos

Maior feira de transportes da América Latina, a Fenatran também é uma vitrine de teconologias que devem chegar às ruas em breve. Os destaques vão desde o caminhão mais rápido do mundo, até o lançamento de motores que rodam com etanol e gás, incluindo um inédito 4x4 “compacto”.

Muito além da inovação, a Fenatran também é uma feira de negócios - muita gente aproveita as novidades para renovar a frota. Só neste ano, é esperada uma movimentação de R$ 5 bilhões. Passando pelos estandes, é bastante normal encontrar caminhões com placas de “vendido”.

Fim dos espelhos

Se engana quem pensa que veículos comerciais não possuem tecnologia embarcada. O primeiro modelo a abolir espelhos retrovisores no país, por exemplo, é um caminhão: a nova geração do Actros, o caminhão topo de linha da Mercedes-Benz.

O grandalhão foi lançado nesta Fenatran, e as entregas começam em abril - antes do carro elétrico Audi E-Tron, que também substituiu os retrovisores.

O “truque” do Actros é usar duas câmera de alta resolução - obviamente uma em cada lado. Elas captam as imagens, e transmitem, em tempo real, para duas telas, verticais, de 15 polegadas.

Na parte interior, é replicada uma imagem panorâmica, enquanto o restante da tela mostra um quadro mais fechado – como em um retrovisor comum. Ainda é possível alterar o ângulo da câmera, por meio de comandos na porta do motorista.

A Mercedes ainda instalou um dispositivo de segurança. Se o motorista está dormindo na cabine, por exemplo, e percebe uma movimentação suspeita do lado de fora, basta acionar um botão, que as telas são ligadas.

O retrovisor por câmeras é um opcional do novo Actros. Elas custam R$ 10 mil, ou 2% do preço do veículo - estimado em R$ 500 mil.

Marcos Andrade, gerente sênior de produtos da divisão de caminhões da Mercedes, acredita que 10% dos clientes devem adquirir a tecnologia.

A principal causa para a Mercedes ter trocado os espelhos por câmera é a economia de combustível, estimada em 1,3%. Isso porque o veículo se torna mais aerodinâmico sem os espelhos convencionais.

“Pode parecer pouco, mas, para quem usa o veículo para o trabalho, qualquer 0,1% importa”, disse Marcos Andrade, gerente sênior de produtos da divisão de caminhões da Mercedes.

E se quebrar? Andrade garante que a solução é simples. “As concessionárias estão preparadas. Há um kit de reparo, com um retrovisor convencional. Ou o motorista pode optar por substituir a própria câmera”, responde, prontamente.

Dando aquele gás

Grande parte da frota brasileira de caminhões roda com motores a diesel. Mas, se depender de algumas fabricantes, a história pode mudar nos próximos anos. Não que as empresas devam abandonar o óleo como combustível.

Mas começam a aparecer novas propostas, mais sustentáveis. A Scania, uma das marcas mais importantes do país, acaba de lançar os primeiros caminhões movidos a gás do Brasil. “Temos que explorar combustíveis alternativos até que a eletricidade seja viável”, disse Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania. A solução, por enquanto, é o gás.

São duas opções, exibidas na Fenatran em carrocerias da linha R, a segunda maior da empresa. Elas usam um motor de 410 cv, e podem ser abastecidos com gás natural veicular, já encontrado em cerca de 1,3 mil postos no Brasil, e gás natural liquefeito, que ainda não é distribuído regularmente.

A partir de abril do ano que vem, a Scania vai vender caminhões que rodam com os novos combustíveis. Na comparação com similares a diesel, os preços devem ser entre 35% e 40% mais altos, enquanto o custo de operação cai de 15% a 17%, sempre segundo a fabricante.

Para ser abastecido com gás, a Scania desenvolveu um motor novo, que funciona com ciclo Otto, em vez do ciclo diesel. No entanto, 80% das peças são compartilhadas, o que facilita a manutenção. Inicialmente, o motor virá importado da Suécia, sede da empresa. “Conforme o volume for aumentando, podemos nacionalizar a produção”, completou Munhoz.

A Scania será a primeira marca a vender caminhões a gás no Brasil. Outra empresa, a fabricante de motores FPT, mostrou na Fenatran um motor flex, que pode rodar com gás natural veicular ou etanol.

O motor de 3 litros tem 136 cavalos, e, segundo a FPT, é até 30% mais econômico do que similares a diesel. A ideia é comercializar este propulsor até o final do ano que vem.

Para encarar todo terreno

Outra novidade é da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que lançou na Fenatran o primeiro caminhão leve do país com tração 4x4. O Delivery 11.180 chega às lojas no meio do ano que vem, para atender a uma crescente demanda por veículos menores, mas com boa capacidade fora-de-estrada.

“Com o Delivery 4x4, resolvemos duas questões. Uma é a ergonomia, já que ele tem a plataforma mais baixa, melhor para quem vai colocar ou tirar uma carga. A segunda é o acesso em áreas com terreno acidentado”, disse Ricardo Yada, supervisor de marketing da Volkswagen.

Em condições normais, as rodas motrizes são as dianteiras. A tração 4x4 é sob demanda - ela pode ser acionada por meio de um botão no console. Para instalar os componentes da tração, como o diferencial central, o caminhão foi elevado - indiretamente, isso melhorou também o ângulo de ataque, que ajuda no acesso do veículo em terrenos íngremes.