Twitter vai proibir propaganda política

O Twitter decidiu banir toda a publicidade política em sua plataforma ao redor do mundo

O Twitter decidiu banir toda a publicidade política em sua plataforma ao redor do mundo, sob o argumento que o alcance dessas mensagens "deve ser conquistado, não comprado".

Em um tuíte, o CEO da empresa, Jack Dorsey, afirmou que não vai mais permitir que publicidade política seja veiculada na plataforma: "Embora a publicidade na internet seja incrivelmente poderosa e muito eficaz para anunciantes comerciais, esse poder traz riscos significativos à política".

Segundo Dorsey, a decisão foi motivada porque uma mensagem política ganha alcance quando as pessoas decidem seguir uma conta ou compartilhar conteúdo político.

Pagar por esse alcance remove o aspecto de decisão do usuário, forçando as pessoas a ver mensagens políticas direcionadas.

Segundo o executivo, essa não é uma decisão que deve ser comprometida pelo dinheiro.

"Publicidade política na internet é um desafio totalmente novo para o discurso cívico: otimização baseada em aprendizado de máquina, micro-direcionamento, informações sem checagem e vídeos falsos.

Tudo isso em grande velocidade, sofisticação e escala arrebatadoras", disse Dorsey em sua conta no Twitter.

O executivo afirmou que, embora a publicidade na internet seja algo muito poderoso e efetivo para os anunciantes, esse poder traz riscos significativos para a política, já que poderia ser usado para influenciar votos e afetar as vidas de milhões de pessoas.

A decisão final de como a plataforma irá lidar com isso será divulgada no próximo dia 15. Dorsey disse que haverá exceções, como publicidade que incentive as pessoas a se registrar para votar - nos EUA o voto não é obrigatório e um registro prévio é requerido para participar. O fim das publicidades políticas entrará em vigor no próximo dia 22.

Recentemente, a rede social rival Facebook descartou a proibição de anúncios políticos.

Hillary Clinton, candidata democrata derrotada por Trump nas eleições presidenciais de 2016, elogiou a iniciativa do Twitter e sugeriu que o Facebook repensasse sua política.

Elizabeth Warren, pré-candidata democrata à Presidência, decidiu pagar por um anúncio intencionalmente falso no Facebook que afirmava que Zuckeberg apoiava pessoalmente a reeleição de Trump.

Warren afirmou ter feito isso em protesto contra a decisão do Facebook de permitir que políticos façam anúncios que contenham mentiras.

Nos Estados Unidos, campanhas eleitorais no âmbito federal esperam gastar quase US$ 6 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões) em publicidade, mas a maioria deve ser direcionada para inserções na TV.

Segundo estimativa da empresa Kantar, cerca de 20% deve ser investido em publicidade digital.