Com farsa sobre luta de classes, "Parasita" é favorito ao Oscar de melhor filme internacional

Novo filme do coreano Bong Joon-Ho, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, pode e deve sonhar com indicação a melhor filme no prêmio da Academia Cinematográfica de Hollywood

Ao ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes em maio, o sul-coreano "Parasita" já havia praticamente se garantido como um dos maiores concorrentes ao Oscar de melhor filme internacional.

A farsa sobre luta de classes, que vai do limite do pastelão ao thriller, estreiou no Brasil na última quinta-feira (7) com chances reais de conquistar pelo menos uma indicação à categoria principal da Academia.

Além de estatuetas, "Parasita" também deve sacramentar o diretor Bong Joon-Ho como um dos grandes nomes da atual geração de todo o mundo.

O filme conta a história - que se passa na Coreia do Sul, mas que assusta com o quão universal é - de duas famílias em cantos opostos das classes sociais.

Os Kim moram em um porão infestado por insetos e têm de roubar o Wi-Fi do vizinho sentados na privada, único ponto em que o sinal funciona.

Já os Park moram em uma bela casa projetada por um renomado arquiteto com direito a jardim espaçoso e ensolarado e até a bunker secreto no subsolo.

Duas realidades tão distintas se encontram quando o jovem filho dos Kim, através de uma pequena mentira, se torna professor particular da jovem filha dos Park.

Pequeno golpe depois de pequeno golpe, toda a sua família em breve conquista diferentes funções no lar.

 Tudo muito bem, até que o retorno inesperado da antiga governanta da casa dá o velho toque surreal do cinema coreano que ameaça tudo.

A distância entre os Park, que pouco aparecem juntos na mesma cena, parece cada vez maior refletida na proximidade dos Kim. Aglomerados no porão onde moram, são ainda mais unidos na execução de seu plano.

"Eles são legais para pessoas ricas", diz o pai (interpretado pelo sempre excelente Song Kang-ho). "Eles são legais porque são ricos", responde a mãe, no último momento de tranquilidade que serve como o melhor exemplo de uma das discussões do filme.

Completamente bêbados, os personagens também ilustram quão pouco a sério a trama se leva. Desta cena em diante o filme entra em uma espiral de loucura e imprevisibilidade excepcional que deve gerar as reações mais desesperadas no público ao assistir "Parasita", um dos melhores filmes do ano, senão o melhor até o momento..