Fisioterapeuta pesquisa influência dos hábitos nas doenças

Ana Paula Talin Bissoli tem mestrado em filosofia, o que lhe motivou a pensar de forma mais ampla nos hábitos dos pacientes

Por Izabel Dias

Foto Edio Junior 

 

“Seus hábitos causam saúde ou doença?” Com este questionamento, a fisioterapeuta e pesquisadora da Unesp de Marília, Ana Paula Talin Bissoli, mostra a importância de uma abordagem mais ampla do paciente na identificação e tratamento de doenças motoras.

A fisioterapeuta integra o projeto “Bem Viver para Todos”, realizado pela Unesp em parceria com o Santander e faz parte de vários outros projetos de extensão na universidade dentro do  tema ‘Saúde Integral’.

Ana Paula Talin Bissoli tem mestrado em filosofia, o que lhe motivou a pensar de forma mais ampla nos hábitos dos pacientes como fatores determinantes para o surgimento de problemas motores e a melhor forma de solucioná-los. “Cada um tem um hábito que constitui sua identidade. Isso se chama identidade motora. O que sempre questiono é: como vamos tratar sem identificar o movimento?”, disse.

A fisioterapeuta explica que a observação dos hábitos motores do paciente permite que se identifique em que momento esses movimentos podem se tornar doença. “Identificamos como aquilo começou a funcionar de forma desorganizada, pode ser uma fratura, uma questão psicossomática. O corpo não tem um sistema de ‘liga’ ou ‘desliga’”, disse.

Ana Paula Bissoli afirma que a proposta é sair do sistema cartesiano de tratamento, mais comumente utilizado. “ Nossa técnica de avaliação propõe mostrar para o corpo formas de funcionamento que promovem a sincronia, tanto física, quanto energética. Através disso você pode propor sensações de melhoria para o corpo”.

A fisioterapeuta explica que é preciso mostrar ao paciente através do movimento, de que forma ele vive e se relaciona com o corpo no local onde está inserido e propor a mudança de hábitos.

As mudanças podem ser propostas não apenas na parte motora mas também na busca pela alimentação de qualidade, onde costumamos manter  hábitos nocivos à saúde. “Você não tem domínio do hábito. Tudo o que você passa a repetir, vira hábito”, disse.

Segundo a fisioterapeuta, o primeiro passo é entender o que é o hábito, identificar o que realizamos de forma repetitiva. O segundo momento é a proposta de mudança; o que fazer para sair dessa repetição.

Ana Paula Bissoli afirma que o surgimento de uma doença mostra de alguma forma uma mudança de hábito. “Nossa proposta é fazer uma avaliação baseada em hábitos e propor um tratamento baseado em hábitos adquiridos ao longo da vida. Temos que resgatar a identidade para reabilitar o paciente”.