Editorial

Lula insiste na volta do “poste”

 

Depois da fracassada administração petista na capital paulista com Fernando Haddad, que tentou a reeleição e teve de engolir acachapante derrota já no primeiro turno para João Dória, o PT anda mais perdido de cachorro em dia de mudança. Mas é uma situação óbvia, principalmente depois do estrago provocado na economia do País pelos governos avassaladores de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff: um acabou preso e a outra sofreu impeachment.

Na verdade, o PT vem se desmanchando há bom tempo e hoje já não tem mais credibilidade e muito menos a força política da década passada. Com o seu principal líder totalmente desmoralizado, o partido está mesmo sem rumo e vai ter um teste muito difícil nas eleições municipais, principalmente nas capitais e grandes cidades do País. O foco principal é a prefeitura de São Paulo, por onde já passaram Luiza Erundina (hoje no PSol), Marta Suplicy (sem partido) e Fernando Haddad.

Como o PT ainda depende de Lula, apesar de destruído moralmente por causa dos processos e condenações por corrupção que o levaram à prisão, a cúpula fica à espera de uma indicação definitiva do “cadáver político”. Luiz Inácio insiste para que Fernando Haddad (o poste derrotado nas últimas eleições municipal e presidencial) seja o candidato do PT. Haddad se faz de rogado, disfarça e diz que não será candidato à prefeitura da capital paulista. É bom lembrar de que Haddad teve apenas 16,7% dos votos quando perdeu para João Dória no primeiro turno.

Alas petistas que defendem uma chapa encabeçada por Haddad temem um resultado pífio se a legenda for às urnas com o inscrito nas prévias escolhido pelos filiados. O ex-prefeito seria, na visão de seus aliados, o único com alguma chance de chegar ao segundo turno. A votação dos militantes está marcada para 22 de março. Os pré-candidatos estão participando de debates em diferentes regiões da cidade e tentando reunir apoios. Estão inscritos: os deputados federais Carlos Zarattini, Paulo Teixeira e Alexandre Padilha, o vereador Eduardo Suplicy, o ex-deputado Jilmar Tatto, o ex-vereador Nabil Bonduki e a militante do movimento negro Kika Silva. Até os petistas sabem que será derrota na certa!

O PT tem ainda uma carta na manga: Marta Suplicy (sem partido) indica que pode formar chapa com Haddad, o que também eleva a pressão sobre ele. Marta tem dialogado com partidos para decidir uma filiação, com a condição de que possa negociar a vaga de vice na campanha do ex-prefeito.

"O dia que o Haddad decidir que quer ser candidato, ele será o candidato. Todo o mundo que disputa, na verdade, gostaria que o Haddad fosse candidato, mas é uma coisa que temos que respeitar a decisão dele de querer ser ou não", afirmou Lula na terça-feira. Mas a verdade é que o ex-presidente condenado vem fazendo enorme pressão para que Fernando Haddad seja o candidato por ser o nome mais popular dentre os concorrentes petistas. Mas seja com o poste Haddad ou qualquer dos demais pretendentes, a derrota em São Paulo é praticamente certa.