Editorial

O que está ruim, pode ficar pior!

 

Novas manifestações foram registradas em Brasília no final de semana contra a atuação grotesca e antidemocrática do Supremo Tribunal Federal, que está fazendo de tudo para “governar” o País, atropelando a presidência da República. Parece que alguns ministros preferem partir para o confronto e desafiar a população. Faz-se ressalva a ministros que estão fora desse embate e que se preservam, sem se exporem, como são os casos de Rosa Weber, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Luiz Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin.


Hoje o alvo principal das manifestações é o ministro Alexandre de Moraes com seu absurdo inquérito que apura fake news e ataques contra o Supremo Tribunal Federal, exagerando nas ações, inclusive usando a Polícia Federal.

Mas quem parece querer ganhar projeção em meio aos embates é o decano da corte, Celso de Mello (que será obrigado a deixar o STF em novembro deste ano ao atingir 75 anos e a aposentadoria compulsória). Em vez de apaziguar e refrear os ânimos, o ministro jogou gasolina na fogueira. Ele comparou o atual período do Brasil à Alemanha nazista em mensagem encaminhada aos demais ministros da corte. Melo alertou que a “intervenção militar, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia nada mais é senão a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar”.


“Guardadas as devidas proporções, o ovo da serpente, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) parece estar prestes a eclodir no Brasil. É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu quando Hitler não hesitou em romper e em nulificar a progressista, democrática e inovadora Constituição de Weimar, impondo ao país um sistema totalitário de poder”, afirmou.


Depois dessa declaração bombástica, até mesmo o ministro Gilmar Mendes (um dos alvos dos protestos) procurou diminuir a tensão e pediu 'ponderação e cuidado' em meio a um dia de protestos pró-democracia em São Paulo e mensagens do colega de Corte, decano Celso de Mello, que comparam o Brasil à Alemanha de Hitler. "A gente não deve acender fósforo para saber se existe gasolina no tanque", disse Gilmar. "O momento recomenda ponderação e cuidado para todos".


No sábado à noite o STF se tornou alvo de críticas por parte de apoiadores do governo Bolsonaro depois que a Polícia Federal cumpriu um mandado a residências de figuras públicas ligadas ao presidente. A ativista Sara Winter liderou uma manifestação contra o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes com o grupo 300 do Brasil.


Alvo do inquérito das fakes news coordenado pelo ministro Alexandre de Moraes, a ativista Sara Winter liderou uma manifestação contra a instituição. Com tochas nas mãos, vestindo roupas pretas e com máscaras, o grupo chamado Os 300 do Brasil gritou palavras de ordem como “Ministro covarde! Queremos liberdade!”.


Em um post no Instagram, Sara acusou Moraes de violar a liberdade de expressão e a privacidade dos cidadãos. Ela ainda disse que a operação da Polícia Federal cometeu invasão domiciliar com apreensão de instrumentos de trabalho.

O deputado federal Filipe Barros (PSL) anunciou que irá entrar com um processo judicial contra o ministro Celso de Mello. Ele se mostrou ofendido e fez o anúncio em suas redes sociais. “Informo que eu, como bolsonarista, me senti extremamente ofendido pela carta divulgada por Celso de Mello, recheada de crimes contra a honra e fake news, em que ele afirma que os “bolsonaristas querem uma desprezível e abjeta ditadura militar”, e irei processá-lo”, escreveu.