Mariliense Guilherme Nasraui estreia peça “Cinco Tiros em John Lennon” no Rio de Janeiro

Montagem que marca a estreia na direção teatral da consagrada atriz Ana Beatriz Nogueira, faz do assassinato de um ídolo mundial uma metáfora sobre os vários assassinatos que a cultura vem sofrendo ao longo das décadas e dos séculos

O ator e dramaturgo mariliense Guilherme Nasraui estreiou na última quinta-feira (23) no Teatro III do CCBB, no Rio de Janeiro, o espetáculo “Cinco Tiros em John Lennon”, que recria, sem julgamentos, os devaneios mentais e os tortuosos passos de Mark David Chapman que antecederam o assassinato de John Lennon na porta de sua casa, em frente ao famoso Edifício Dakota, em Nova York, na fatídica noite de 8 de dezembro de 1980.

A montagem, que marca a estreia na direção teatral da consagrada atriz Ana Beatriz Nogueira, com supervisão de Victor Garcia Peralta, faz do assassinato de um ídolo mundial uma metáfora sobre os vários assassinatos que a cultura vem sofrendo ao longo das décadas e dos séculos. 

Guilherme Nasraui foi quem convidou Ana Beatriz Nogueira para a empreitada. A princípio, a peça detinha-se neste mergulho dentro do pensamento até hoje não completamente desvendado deste estranho homem, há 37 anos encarcerado nos Estados Unidos. Suas entrevistas, somadas às reportagens publicadas em várias partes do mundo constituíram matéria-prima para a dramaturgia. Mas, ao longo do processo de ensaios, autor e diretora foram descobrindo na peça um potencial e uma vocação para simbolizar vários assassinatos culturais que a sociedade vem testemunhando e sofrendo ao longo de anos e anos.

Com 32 anos de uma sólida carreira no teatro, na TV e no cinema - onde debutou em 1987 ganhando um Urso de Prata no Festival de Berlim com o filme Vera, escrito e dirigido por Sérgio Toledo - Ana Beatriz estreia na direção teatral com a peça solo de Guilherme Nasraui, que também é autor do texto.

“Vi no texto de Guilherme a possibilidade de falar de tantos assassinatos que a cultura sofre e sofreu em todos os tempos. Contando a história de ‘Cinco tiros em John Lennon’ contamos a história de muitos,” comentou a atriz e diretora.

A MONTAGEM

Em cena vemos o depoimento seco e “desdramatizado” de um homem que tenta explicar como e por que chegou a levar a cabo o gesto extremado de assassinar alguém tão amado e admirado em todo o planeta.

Ao longo da narrativa, cada um dos cinco tiros disparados contra John Lennon responde por um diferente “tiro” na cultura. Isto se dá através das projeções em vídeo de imagens icônicas que representaram atentados à cultura e à criação artística, como a queima nazista de livros, a estátua de Drummond sendo violentamente chutada, entre outras famosas e de domínio público.

“Cinco tiros em John Lennon” fica em cartaz até o dia 23 de dezembro, de quarta a domingo às 19h30, no Teatro III do CCBB, localizado na rua Primeiro de Março, 66 - Centro / Rio de Janeiro.

GUILHERME NASRAUI

Ator, produtor, diretor e roteirista, é um dos fundadores da Companhia Teatral Dom Caixote, em São Paulo, e da produtora de cinema N Coisas Produções, Guilherme Nasraui atuou nas peças “Nossa Vida em Família”, de Oduvaldo Vianna Filho; “Vem buscar-me que ainda sou teu”, de Carlos Alberto Soffredini; “Tão Longe...”, de Paulinho Rocco; “O Menino que Perdeu a Lua”, de Luiz F. Petuxo; e “Um Grito Parado no Ar”, de Gianfrancesco Guarnieri, pela qual recebeu o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Teatro Cidade de São Paulo em 2010, e foi indicado ao Prêmio de Ator Revelação no Festival Nacional de Teatro de Varginha-MG, em 2009. No Rio de Janeiro, esteve em cartaz com a peça “Romeu na Roda”, de Flavia Bessone, em 2013.

Na TV, atuou na novela “Morde & Assopra” (Globo - 2011), e fez participações em “Além do Tempo” (Globo – 2015), “Chiquititas” (SBT - 2015), “Alto Astral” (Globo - 2014), “Salve Jorge” (Globo - 2013) e na série “A Teia” (Globo – 2014). Ainda em 2014, fez participação na série “Meu Amigo Encosto”, primeira obra de ficção do Canal Viva.

No cinema, atuou em vários curtas metragens, além dos longas “Eu te Levo”, de Marcelo Muller - Academia de Filmes e "A Independência ou Morte!", de Walmir Sparapane, ambos com lançamento em 2016. Escreveu, produziu e dirigiu mais de 10 curtas, entre eles "Amor, Primeiro", vencedor do concurso de curtas Rio Eu te Amo em 2014, e “Meu carro, o meu carro”, eleito Melhor Filme pelo júri popular na 3ª Mostra de Curtas Fantásticos de São Paulo em 2008.

Como roteirista, desenvolveu vários projetos, como “Rodízio”, série escrita em parceria com Vanessa Giacomo, cujo elenco é formado por Tonico Pereira, Joaquim Lopes, Regiane Alves, Letícia Lima e Monique Alfradique, entre outros.

ANA BEATRIZ NOGUEIRA

A atriz carioca estreou profissionalmente no longa “Vera” (filmado em 1985 e lançado em 1987), dirigido por Sérgio Toledo. Por este trabalho, foi premiada com um Urso de Prata no Festival de Berlim, prêmio dado somente a três brasileiras – além dela, Marcélia Cartaxo e Fernanda Montenegro. Por sua interpretação no filme, a atriz também conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais, entres eles, o de melhor atriz no Festival de Brasília e Festival de Nantes, na França.

No cinema, foram mais de 12 produções, entre longas e curtas-metragens. Protagonizou diversos filmes, entre eles: “Villa-Lobos, uma paixão”, de Zelito Vianna (2000); “Querido estranho” (2002), de Ricardo Pinto e Silva; “O Vestido” (2004), de Paulo Thiago, entre outros.

No teatro, esteve em cartaz em 2014 com a peça “Uma relação pornográfica”, texto do iraniano Philippe Blasband e direção de Victor Garcia Peralta. Por este trabalho, Ana Beatriz Nogueira foi indicada ao 2º Prêmio Cesgranrio de Teatro e ao Fita 2014. Ao longo da carreira, participou de muitas montagens: “Fala baixo, senão eu grito” (2007/2008), de Leilah Assunção, com direção de Paulo de Moraes; “O Leitor por horas” (2006), do dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra, com direção de Christiane Jatahy; “A memória da água” (2002), texto da inglesa Spelagh Stephenson, com direção de Felipe Hirsch; “As três irmãs” (1999), digerido por Bia Lessa, entre outras produções.

 

Na TV, nos últimos anos, participou das novelas: “Ciranda de Pedra”, de Alcides Nogueira; “Caminho das Índias”, de Glória Peres; “Insensato coração”, de Gilberto Braga; “A Vida da gente”, de Lícia Manzo; Salve Jorge, de Glória Perez; “Saramandaia”, inspirada na obra de Dias Gomes; “Em família”, de Manoel Carlos; “Além do Tempo”, de Elizabeth Jhin; e “Rock Story”, de Maria Helena Nascimento”.